Todo mês, as pesquisas eleitorais oferecem uma fotografia diferente do país. Individualmente, elas trazem ruído: margem de erro, escolha de instituto, momento em que o campo foi feito. Somadas, contam uma história. Comparando as últimas quatro semanas com o mês anterior, três movimentos se destacam na corrida presidencial de 2026 — um deles significativo, dois deles ainda dentro do erro estatístico, mas com direção clara.
Flávio Bolsonaro cresce entre jovens
O movimento estatisticamente mais relevante do mês foi o avanço de Flávio Bolsonaro no eleitorado de 16 a 24 anos. Nas médias, o candidato do PL saiu de 22% para 27% nessa faixa etária, um crescimento que ultrapassa a margem de erro em pesquisas que estratificam por idade. O crescimento é puxado por presença digital, mas também por uma percepção de renovação dentro do campo bolsonarista.
Lula estável, mas com desgaste no Sudeste
Lula mantém intenção de voto geral praticamente idêntica à do mês passado, com variação inferior a um ponto percentual — dentro do erro. Sob a superfície, porém, há um sinal amarelo: no Sudeste, o presidente perdeu entre um e dois pontos percentuais em três dos quatro maiores institutos. O movimento é pequeno e ainda pode ser oscilação, mas é o tipo de padrão que costuma antecipar tendências mais longas.
Tarcísio e Ratinho patinam
Os dois principais nomes do centro-direita governista, Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior, tiveram um mês morno. Ambos permanecem na faixa de 8% a 12%, sem crescimento nem queda relevante. A ausência de movimento é, em si, um dado: nenhum dos dois conseguiu aproveitar o mês para se descolar do bloco intermediário, e o tempo para consolidação começa a apertar.
Rejeição em movimento
Do lado da rejeição, houve mudanças mais interessantes que a intenção de voto sugere. A rejeição a Flávio Bolsonaro caiu dois pontos percentuais na média, enquanto a de Lula subiu um ponto. Somados, esses movimentos reduzem a distância entre os dois em cenários de segundo turno, mesmo com a intenção de voto praticamente inalterada.
Indecisos: primeira queda relevante do ano
O percentual de eleitores indecisos ou que não sabem em quem votar caiu de 15% para 12% na média. É a primeira queda relevante em 2026 e sinaliza o começo da fase de consolidação da opinião. Historicamente, essa curva se acelera após o horário eleitoral gratuito começar, em agosto. A partir dali, é comum que a diferença entre os candidatos do topo se estreite ou se amplie de forma mais nítida.
O que observar no próximo mês
Três indicadores merecem atenção nas próximas quatro semanas. Primeiro, se a queda dos indecisos continua acelerando. Segundo, se o crescimento de Flávio Bolsonaro entre jovens se consolida em todas as regiões. Terceiro, se a rejeição a Lula segue subindo — nesse caso, um movimento que hoje é estatisticamente pequeno pode virar tendência clara ainda em julho.
Comparar pesquisas mês a mês é como ler um filme quadro a quadro: cada frame parece igual ao anterior, mas o filme se move. Os três movimentos acima podem ser ruído — ou podem ser exatamente o começo do enredo que vai definir a eleição.
