• Educação eleitoral

Como ler uma pesquisa

Margem de erro

Toda pesquisa científica trabalha com uma margem de erro, geralmente entre 2 e 4 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança. Isso significa que, se um candidato aparece com 32% e a margem é de 2 pontos, o resultado real deve estar entre 30% e 34% — em 19 de cada 20 pesquisas realizadas com a mesma metodologia.

Quando dois candidatos aparecem dentro da margem — por exemplo, 32% e 31% com margem de 2 pontos — dizemos que estão tecnicamente empatados. A diferença observada pode ser apenas ruído estatístico. Ignorar isso é o erro mais comum ao ler pesquisas.

Tamanho da amostra

Uma amostra bem construída de 2 mil pessoas pode representar um país de 210 milhões de habitantes com margem de 2 pontos, desde que os entrevistados sejam distribuídos por região, faixa etária, gênero, escolaridade e renda de maneira proporcional à população real. Não é o tamanho absoluto que garante qualidade, mas a representatividade.

Amostras maiores reduzem a margem de erro, mas com retorno decrescente: passar de 2 mil para 4 mil entrevistas melhora pouco a precisão e encarece muito a pesquisa. Já amostras muito pequenas (200 ou 300 pessoas) têm margens de 5 a 7 pontos, o que torna o resultado quase inconclusivo em disputas apertadas.

Pesquisa registrada no TSE vs enquete online

Existem dois universos completamente diferentes:

  • Pesquisa eleitoral registrada no TSE — segue a Lei nº 9.504/97. O instituto precisa registrar a pesquisa antes da divulgação, informando metodologia, tamanho e composição da amostra, contratante, valor pago e período de campo. Datafolha, Quaest, AtlasIntel, Ipec, Paraná Pesquisas e outros seguem esse padrão. Divulgar pesquisa fraudulenta é crime.
  • Enquete online (como as da Data Povo) — é apenas um botão de opinião. Quem quiser vota, quantas vezes o sistema permitir. Não há amostragem, não há representatividade demográfica, não há valor científico. Serve para engajamento, medir mobilização digital e curiosidade — nunca para prever resultado eleitoral.

No nosso site as duas coisas convivem: mostramos pesquisas registradas dos principais institutos (com fonte e data explícitas) e, ao lado, permitimos que você vote na nossa enquete. Trate cada uma pelo que é.

Por que pesquisas variam entre institutos

Duas pesquisas registradas, feitas na mesma semana, podem mostrar resultados diferentes em 5 ou 6 pontos para o mesmo candidato. Isso não é fraude — é consequência de escolhas metodológicas legítimas:

  • Modo de coleta — presencial (domicílios), telefone, painel online recrutado ou entrevista via RDD. Cada modo alcança perfis diferentes.
  • Estímulo — mostrar lista de candidatos (pesquisa estimulada) tende a inflar novatos; perguntar de cabeça (espontânea) favorece nomes conhecidos.
  • Ordem das perguntas — o "aquecimento" antes da pergunta principal altera respostas em disputas polarizadas.
  • Pesos — cada instituto ajusta a amostra para "parecer" a população; o modelo de ponderação (Censo, TSE, PNAD) muda o número final.
  • Data de campo — pesquisas com 3 ou 4 dias de diferença podem pegar impactos de fatos novos.

A melhor forma de ler o cenário é comparar vários institutos ao longo do tempo, observando tendências, e não fixar-se em um número isolado.

Nosso compromisso de transparência

Toda pesquisa oficial exibida na Data Povo cita fonte, data e período de campo. Nossas enquetes internas trazem sempre o aviso "esta enquete não tem valor científico". Se identificarmos um erro em qualquer dado exibido, corrigimos rapidamente e informamos a data da correção. Contato do editorial: editorial@institutodatapovo.com.br.