Enquanto os holofotes se concentram na eleição presidencial, algumas das decisões mais importantes de 2026 acontecem nos estados. Governadores administram orçamentos que somam mais de um trilhão de reais, comandam polícias, definem políticas de saúde e educação e podem — como a história recente mostra — se lançar como candidatos presidenciais quatro anos depois. Neste ciclo, pelo menos cinco disputas estaduais aparecem empatadas dentro da margem de erro, prometendo noites de apuração longas.
Minas Gerais: o estado que decide o país
Minas historicamente antecipa tendências nacionais. Em 2026, o cenário mineiro é um dos mais fragmentados do país. Cleitinho, Mateus Simões e Pablo Marçal dividem o eleitorado bolsonarista, enquanto Rodrigo Pacheco tenta ocupar um espaço de centro-direita institucional. Do lado da esquerda, Reginaldo Lopes e Rogério Correia disputam a herança do lulismo mineiro. Nenhum candidato passa dos 20% nas médias, o que abre espaço para segundo turno com combinações imprevisíveis.
Rio Grande do Sul: reeleição em risco
Eduardo Leite (PSD) tenta a reeleição, mas enfrenta desgaste após enchentes históricas e reconstrução mais lenta que o esperado. Onyx Lorenzoni (PL) capitaliza o bolsonarismo forte no Sul, e Edegar Pretto (PT) surge como alternativa da esquerda. Pesquisas recentes mostram os três em faixas próximas, com o governador ainda ligeiramente à frente, mas dentro da margem — cenário raro para um mandatário em fim de primeiro mandato.
Bahia: transição no PT
Depois de Jerônimo Rodrigues e a era Wagner-Rui, o PT baiano vive sua primeira eleição sem o palanque natural de um governador em disputa reeleitoral clássica. ACM Neto (União Brasil) volta ao jogo em busca de reeditar sua tentativa anterior. A disputa se apresenta como o teste mais claro sobre até onde vai a hegemonia petista no maior estado do Nordeste.
Paraná: sucessão de Ratinho
Com Ratinho Junior olhando para a Presidência, o Paraná abre uma sucessão disputada. Sergio Moro (União Brasil) surge como candidato natural do campo bolsonarista moderado, enquanto o PT tenta emplacar um nome competitivo depois de anos em segundo plano. A disputa paranaense também vai definir o futuro do MDB e do PSD no estado.
Pernambuco: PSB versus oposição
Raquel Lyra (PSDB) enfrenta a maior teste de sua gestão. Miguel Coelho (União Brasil), João Campos (PSB) e outros nomes disputam o espaço que sobra. A tradição do PSB e a máquina municipal do Recife pesam do lado da oposição à governadora, mas a fragmentação do centro-direita pode abrir caminho para um cenário inesperado.
O que essas disputas dizem sobre o Brasil
As cinco disputas mais acirradas de 2026 confirmam três tendências. Primeiro, o fim do voto puramente ideológico: o eleitor estadual valoriza cada vez mais desempenho de gestão. Segundo, a nacionalização das eleições estaduais: presidenciáveis pesam mais em Minas, Rio Grande do Sul e Bahia do que há dez anos. Terceiro, o retorno do voto contra: rejeições altas dominam disputas em que nenhum candidato tem consolidação clara.
Para o eleitor, o recado é direto. Governador é, hoje, um cargo mais próximo do dia a dia do que quase qualquer outro — e são exatamente essas disputas apertadas que mais respondem ao voto informado. Pequenas variações de intenção de voto, quando o cenário está tão fechado, decidem quem administra escolas, hospitais e polícia pelos próximos quatro anos.
